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23 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

AI Act, artigo 50: o que dizer quando uma IA atende o telefone

O artigo 50 do AI Act obriga a informar quem fala com uma IA. Explicamos desde quando, o que muda para um negócio pequeno e como soa uma apresentação honesta.

Se um assistente de voz atende as chamadas do teu negócio, a pessoa do outro lado tem o direito de saber que não está a falar com um humano. Não é uma questão de simpatia: o regulamento europeu da inteligência artificial, o AI Act, diz isto no artigo 50.

Este texto explica em linguagem simples o que a norma pede, desde quando, e o que significa na prática para um restaurante, um salão ou uma clínica. Não substitui aconselhamento jurídico para o teu caso concreto.

O que diz o artigo 50

O n.º 1 estabelece que os sistemas de IA destinados a interagir diretamente com pessoas devem ser concebidos de modo a que essas pessoas sejam informadas de que estão a interagir com uma IA. A exceção é quando isso é óbvio para uma pessoa razoavelmente informada. Ao telefone, com uma voz sintética, é difícil defender que é óbvio.

O dever recai em primeiro lugar sobre o fornecedor do sistema, isto é, quem o desenvolve e coloca no mercado. Mas o negócio que o usa é quem tem o cliente à linha, e é ele quem responde se o cliente se sentir enganado. Por isso, convém perguntar ao fornecedor como cumpre a regra, e não presumir.

Desde quando se aplica

A data de referência para as obrigações de transparência do artigo 50 é 2 de agosto de 2026. Na altura em que escrevemos, essa data já passou. Algumas outras partes do regulamento tiveram propostas de ajuste de calendário, pelo que convém verificar sempre a versão em vigor e as orientações da Comissão Europeia.

O regime sancionatório existe, com coimas definidas no próprio regulamento. Em Portugal, a fiscalização cabe às autoridades nacionais designadas para o efeito. Não vamos citar valores aqui, porque dependem do tipo de infração e da dimensão da empresa, e é a esse nível que um jurista deve olhar.

O que muda para um negócio pequeno

Na prática, muda pouco para quem já atende com transparência. Não precisas de um departamento jurídico, precisas de três coisas: um fornecedor que cumpra a regra, uma frase de abertura honesta e uma saída para falar com uma pessoa quando alguém o pedir. Esta última não é exigida em todos os casos, mas é boa prática e evita atritos.

O que deves evitar é dar nomes humanos à assistente sem avisar, fingir hesitações para parecer pessoa ou responder a perguntas diretas como «estou a falar com uma máquina?» com evasivas. A resposta é sim, e dita com naturalidade, não deixa ninguém ofendido.

Como soa uma apresentação honesta

Curta e logo no início. Por exemplo: «Bom dia, está a falar com a assistente virtual da Clínica Rio, uma inteligência artificial. Posso ajudar a marcar uma consulta ou deixar um recado ao Dr. Vasco.» Dura menos de dez segundos, diz o que é, e diz o que sabe fazer.

Isto convive bem com o RGPD. Se o serviço não grava o áudio nem guarda a transcrição, também não tens de explicar o que fazes com a gravação. Se grava, tens de informar sobre isso de forma separada, com base legal, prazo e direitos. São obrigações diferentes e ambas se aplicam.

Perguntas frequentes

Tenho de avisar sempre que quem atende é uma IA?

O artigo 50 pede que a pessoa seja informada de que interage com uma IA, salvo se for óbvio. Numa chamada com voz sintética, o mais seguro é dizê-lo logo no início, em poucas palavras.

Quem é responsável se o assistente não avisar, eu ou o fornecedor?

A obrigação de conceber o sistema de modo a informar recai primeiro sobre o fornecedor, mas quem usa o sistema no seu negócio não fica totalmente de fora, por isso pergunta como cumpre e exige-o por escrito. Para o teu caso, consulta um jurista.

Uma assistente telefónica de IA diz logo que é uma IA?

Deve dizê-lo, e a melhor prática é logo na saudação. A assistente da Always Simple, por exemplo, apresenta-se na abertura da chamada como assistente de inteligência artificial, e a chamada não é gravada nem transcrita, o que simplifica também o lado do RGPD.

A assistente que atende o telefone quando não podes

Em português europeu, sem mudar de número e sem gravar a chamada.

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